Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
Amiga
-Mamãe, trarei uma amiga aqui em casa!
Dizia eu quando queria amar.
Mamãe e eu nos entediamos
Num silencio nebuloso,
Amiga e amante nunca foram de certo
Amores em comum...
A amizade era recebida em meu portão,
Levada até o quarto,
E de portas fechadas
Existia intensamente por debaixo de meus lençois!
A música flutuava e penetrava os sentidos,
Abafando todas as melodias desesperadas de amor...
Saíamos rubros de desejo...
Mal olhávamos o julgamento nos olhos,
Partíamos para a porta,
E nos despedíamos,
Assim...
Como bons amigos.
Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Ela vem de leve e
Vai levando o
Vazio velado
Lava o véu e
livras lágrimas
levadas ao léo
Só quero que deixe
Que seja cedo,
Silenciando o sentido,
Desfalecendo o falado...
De onde você vem?
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
Certidão de Nascimento
Um buraco negro
Noturno,
Soturno,
Que me toma as entranhas
E me enche de falta...
Não penso o que sinto
E não sinto o que penso,
Sou abismo em lugar nenhum,
No mais inóspito do meu âmago...
Minha angústia é maçante,
E nada interessante...
Pequena a olhares desatentos,
Mas insuportavelmente minha...
Não me sinto impróprio,
Quando estou sem mim...
Quarta-feira, Julho 16, 2008
Vida adulta
O absinto, eu já não sinto
A poesia, perdi,
larguei-a por descaso
assim mesmo, sem querer
a perdi por aí...ao acaso,
Não sei se por amar demais,
Ou se por me perder em tudo o que
não me sou...
Vou me deixando aos poucos,
deixando meu juízo,
deixando minhas vontades,
minhas notas e vísceras...
meu coração e minha vez...
Vou me transformando lentamente
No copo derramado,
Vou me transtornando exatamente
Ao que me foi desejado,
Vou me contornando cegamente
Num sorriso desbundado,
Vou me transbordando nulamente
Como um segundo desperdiçado,
Abandono meus sonhos todos,
E me ponho um fim, sem fim,
Feneço de um eterno vir a ser,
Que se fez, e já não é
Minha humanidade,
não interessa mais
ninguém,
que mal fiz eu a deus?
Não sabia que era apenas homem?
Agora tudo é pronto, e letal
Agora tudo é ponto, e final.
Segunda-feira, Março 31, 2008
De lírios à vidas breves
Estou atado a todas as minhas palavras,
Não sou nada além de palavras
Que vacilam e perdem significado,
Que não são nada além do que são,
Quando estão sós...
Já que palavra eu já nãosou,
Navego por um mar que eu mesmo criei
Me afogo e me volto a vida,
Constantemente, num temporal
Onde o mar e o choro se fundem em um só lamento,
Um vai e vem descontínuo,
Uma melancolia mórbida e amarela,
Vejo-me preso a sorrisos dos quais ñ pertenço,
E me omito,
Omito todo o meu ser,
Recolho minhas lágrimas e distribuo sorrisos polidos,
Acredito nas minhas mentiras,
E me conforto na minha eterna falta...
E não me prendo a nada mais...
Sou o delírio de quem é vivo,
E existe.
Domingo, Fevereiro 24, 2008
Deixa de lado o depois,
Se já foi um,
Agora somos dois,
Pra que umedecer os lábios com ilusões,
Se a nossa soma é cede pros corações?
É...
É o amor sorrindo para o dia que já se fez,
Se despedindo de tudo que se desfez,
De todo não ou talvez,
A vida fez-se, sim!
Só pertencemos a nós mesmos,
E o nosso desejo é uma canção,
Então larga esse medo, corrente,
Medo de dar certo é falta de querer,
Por que é tão triste viver,
Quando o amor,
Vira um eterno vir a ser.